Confusão

Postado em Querido Diário... em fevereiro 4, 2010 por romildejunquera

Cabelos pretos e grossos, num corte desfiado, cheio de camadas, de pontas, de rebeldia. As sobrancelhas negras, grossas e bem delineadas, a maquiagem forte, agressiva, em seu olhar intenso de olhos castanhos bem claros. A boca fina feito um traço, na expressão séria, seca, sutil.

A camiseta branca recortada na gola, desalinhada nos ombros, cheia de estilo, contrastando com a blusa preta básica de baixo…

… e descendo, suas longas pernas em calças pretas… cruzadas com elegância e feminilidade, quase delicadeza, terminam em dois pés lindos e crus, equilibrados em salto algulha.

Ela é meu paradoxo, é a pessoa intocável, inabalável e inatingível que eu quero proteger.

Minha cabeça e o acidente

Postado em Coisas, Na labuta em janeiro 17, 2010 por romildejunquera

_Ei… psiu.. ei.. tô falando com você! Moça? Ei, moça?…

Olhei pro lado, ela me pediu pra parar, eu me aproximei da calçada e parei.

_Você está bem mesmo? Não quer ir pro hospital? Ele te leva, eu vou levando sua moto…

Olhei incrédula. Pq eu deveria ir para o hospital? Minha mente estalou. _Não, eu estou bem, obrigada!

Olhei em volta… Onde eu estava? De quem era aquela moto? Onde eu estava indo? Como eu saí de casa? Como eu fui parar ali? Como eu caí, o que aconteceu? Meu cotovelo sangrava. Respirei fundo, e com calma. Estava perto da universidade. “Estou indo ver minhas planta, é isso. Tenho que ir até a universidade” Tentei diversas vezes dar a partida, e nada. Meu joelho esqerdo doia um pouco. Dois jovens conversavam na calçada. _Moço, você pode me ajudar? A namorada dele não gostou, e perguntou o que eu queria.. _Eu não consigo dar a partida, me ajuda, por favor? Eles continuaram conversando. Minutos depois, viram que eu de fato não ia sair do lugar e foram me ajudar. Desci da moto, o joelho doía. Eles falavam comigo, e eu realmente não estava escutando. _Eu caí, moça, mas eu não me lembro de como! Eu não sei com vim parar aqui! E ela falava comigo, mas eu não escutava, minha mente tinha um turbilhão de imagens, coisas que aconteceram, coisas que eu não sabia se aconteceram ou se eu estava inventando, e coisas que eu estava inventando. Me lembrei da pancada, foi na rotatória, uma carro preto, a maçaneta era prateada. A sensação da pancada se tornou real, bem como o pensamento que eu tive naquele instante: “minha mãe vai me matar!”…

_Meu tio vai vir dar a partida – disse a moça

_Eu sofri um acidente, um carro bateu em mim! Eu não tenho carteira!

_Sorte sua meu tio não ser policial, então!

O tio deu a partida e, mancando eu voltei pra moto. Não me lembro da cara da moça, nem do moço, nem do tio. Minha mente continuava um turbilhão de lembranças e dúvidas, muita confusão, eu tinha que pilotar mais umas 8 quadras.. Entre estalos de inconsciência e de confusão,  eu cheguei até a faculdade no piloto automático. Juro que não sei como, não me lembro. Mas eu me lembro da loucura que foi a minha cabeça, me lembro com perfeição. Enquanto meu corpo guiava a moto, minha cabeça tentava restaurar a memória… eu me perguntava o que tinha feito ontem, quem tinha me emprestado a moto, que hora e como eu havia saido de casa… algumas pessoas me vinham à cabeça, e a impressão que eu tive, foi de que todas eram irreais. “Meu deus, eu inventei todas essas pessoas, todas essas histórias, a minha vida toda era coisa da minha cabeça!!!” De repente, outro estalo, e eu acordei pra consciência. estava a duas quadras da universidade, e me perguntei como havia guiado do local onde o cara deu a partida até ali. Cheguei à universidade, desci da moto e não conseguia nem pisar no chão. Nem dobrar muito a perna. Doia muito. Ah! A moto é da Rosana! Atravessei a rua pulando. Ainda não sei pq cargas dágua estacionei do outro lado!!! sentei no chão, perna esticada, doía.

Os pensamentos confusos, reais, irreais, todos passavam misturados pela minha cabeça. Meu cotovelo sangrava, os ombros também estavam ambos arranhados, o esmalte vermelho do meu dedão da mão direita ganhou um enorme descascado. Minha calça estava suja, mas não rasgada. A moto, nenhum arranhão. UFA! Essas coisas práticas, físicas e reais disputavam o foco da minha atenção com a confusão na minha cabeça. A Mayra, a Mayra foi invenção minha esse tempo todo! Não, eu inventei ela nesse breve momento de insanidade do acidente, eu não era louca, eu fiquei louca agora, e já estou voltando ao normal! O acidente! Me lembrei de mais coisas sobre ele. O rapaz do carro parado perto de mim, a voz dele me perguntando se estava tudo bem me fez acordar. “Sim”, respondi. Tive medo, e mexi os dedos das mão e os pés. Tudo estava mexendo, mas eu simplesmente não conseguia me levantar, por mais força que fizesse. Meu joelho doía.

_Me dá a mão, vou te ajudar – O moço me puxou pelos braços e me pôs de pé. _Quer que eu televe ao hospital?

_Não, eu estou bem, pode deixar, pode ficar tranquilo. Disse isso e andei até  a moto, que já estava de pé. Disse a ele pra prestar mais atenção à sinalização, e perguntei se ele havia tirado a habilitação em Goiás.

Não consegui restaurar a memória de nada do momento do acidente até o local em que ele e a moça me pararam pra perguntar novamente se eu estava bem, perdi uns 500 metros de memória.. hehehhe

A Mayra! minha mente voltou a pensar nela. Não, a pessoa é real, o namoro que é uma loucura! A menina mora longe, de onde vc tirou que vocês namoram? Que ridículo! A menina te dá atenção um minuto e você acha que já está namorando? Abri a agenda do celular. Maira. Estava lá! Ela é real! Liguei, e minha prima atendeu. Desliguei sem dizer nada, decepcionada. Ela não existe. Vinha à minha cabeça a imagem dela, com a blusa de ovelhinhas, na web cam, fazendo uma daquelas caras engraçadas de mau humor… Meu deus, isso é coisa da minha cabeça! Liguei pra Dani, pedi pra falar com a Rosana. Disse a ela que tinha caído de moto, e que tava tudo bem, mas que estava com o joelho doendo, e pedi pra ela ir me buscar. Mayra! Mayra é com Y! voltei à lista na minha agenda, e achei o número da Mayra. Ela existe! Liguei pra ela totalmente confusa, e perguntei se a gente tinha conversado naquele dia, e fiz algumas outras perguntas. Constatei que tudo sobre ela era real, UFA! Tentei levantar, tentei dobrar a perna. A realidade e a loucura na minha cabeça me atormentavam. O Extra, eu realmente tinha ido ao extra no dia anterior. Tempo verbal, não existia. Passado, presente, futuro, eu simplesmente não conseguia ter noção de tempo, meio segundo depois que eu liguei pra Rosana, ela chegou. Eu não contei da confusão, me concentrei muito pra não desviar a atenção do que estava falando, e pra parecer bastante lúcida. Disse que tinha sofrido o acidente e que estava bem, mas que precisava de ajuda pra ir pulando até a casa de vegetação olhar minhas plantas. Minha pressão foi caindo, e eu caindo junto, elas me seguraram. Um sr numa caminhonete parou, elas me enfiaram na caminhonete e foram comigo ao hospital universitário. Me deram remédio pra dor e me mandaram pra casa. No tempo que passei esperando atendimento, recuperei totalmente minha memória dos dias anteriores, consegui me lembrar do momento em que saí de casa, e da noite anterior, do dia anterior, das pessoas reais e afins. Antes de ir pra casa, eu fui pulando ver minhas plantas. No dia seguinte, fui a um médico decente, e descobri que fraturei a tíbia bem no ponto de inserção do ligamento cruzado anterior. E foi assim que ganhei sete pontos, em um corte e três furos no meu joelho.

Experiência sem dúvida mais louca da minha vida.

Surdez – Nova orquestra

Postado em Coisas, Poética com as tags , , em novembro 17, 2009 por romildejunquera

Falar com as mãos, a expressão, o corpo.

Meu contato com o mundo dos surdos foi muito breve. Antes de me encantar com a mímica e a mágica da Danielle, eu não sabia o que era a surdez, socialmente falando. Nosso breve romance ficou registrado nesse humilde blog com uma breve poesia, postada em 3 de novembro de 2008, e que eu reproduzo nesse momento:

Tem um sabor sublime a sua pele
silenciosamente deliciosa…
Nem é preciso palavras, Danielle!

Mostrei a ela, mas ela não compreendeu, porque ela não sabe português, só sabe LIBRAS. E eu tentei aprender LIBRAS pra falar com ela, mas o máximo que consegui foi um português sinalizado. Português, português sinalizado e LIBRAS são idiomas totalmente distintos. E porque eu não soube explicar, nem ela soube compreender, em um mês, a gente se desistiu.

Mas como ser a mesma, depois de conhecer um mundo novo? Digo um mundo novo, porque há um abismo cultural, educativo, social, político e etc entre esse mundo em que vivemos, e aquele, a que, trocadilhos infames à parte, ninguém dá ouvidos.

Desenvolvi projetos educacionais voltados aos surdos, e mobilizei os meus colegas, futuros possíveis professores. Se seremos educadores, precisamos saber ensinar a todo público. O Brasil não é um país de um só idioma, e os surdos têm direito à mesma educação que qualquer alun ouvinte. Um dos meus projetos para um futuro próximo é me especializar, aperfeiçoar a minha proficiência em LIBRAS, e dar aula para crianças surdas. Por agora, não tenho podido fazer nada por eles, mas não os esqueci.

Porque outros compromissos me impedem de me envolver em tal projeto nesse momento, pensei estar temporariamente acabada minha contribuição para com os surdos, mas voltei a utilizar meus conhecimentos muito mais cedo do que eu gostaria. Após um fatídico acidente, uma pessoa muito próxima e muito querida perdeu a audição. O começo, é doloroso e revoltante. Cheio de incertezas, de questionamentos, da falta de hábito, e poxa, da falta de audição! Como eu havia estudado muito a surdez física, a surdez social, LIBRAS e coisas relacionadas ao universo do surdo, pude orientar e sei que fui um enorme conforto naquele momento difícil.

Mas hoje, me lembrei dos surdos e quis escrever isso, porque eles me deram um maravilhoso presente: uma nova, mágica e maravilhosa forma de vê-los. No terminal central de ônibus urbanos, um grupo de quinze ou vinte pessoas conversava, e nenhum ruído se escutou. E eu não senti a angústia das palavras que não saem, da comunicação esmurrando as paredes e as barreiras do corpo, não senti a aflição da incompreensão. Por alguns minutos, observando-os, sem perceber, deixei de escutar o barulho dos ônibus, das pessoas, dos vendedores, do mundo. Eu assistia a uma sinfonia teatral, orquestrada no silêncio da mudez, e ao sabor dos demais sentidos. Com o balanço do corpo, das mão, da expressão. Não é a boca, é todo o corpo que fala, em harmonia.

Aprendi a parar de querer escutar boca.

Obs. Fotografia do Mímico Marcel Marceau, retirada da página no jornal O Globo.

João Batista, mas não o santo

Postado em Coisas, Querido Diário... com as tags , em novembro 16, 2009 por romildejunquera

St John the Baptist

João Batista - O santo.

Então nesse domingo eu estava passando muito mal, vomitando até a alma, e precisa ir à faculdade observar meu experimento. De ônibus, não conseguiria. No bolso, 7 reais. 7 insuficientes reais para ir e voltar de moto táxi.

Abri minha agenda no celular. Tenho lá uns 15 números de moto táxis legais, e mais 4 com um N na frente, pra eu me lembrar de nunca pegar. Comecei a ler um por um, até chegar em… João Batista. Tem nome de santo, pensei.

Liguei pra ele e perguntei se me levaria até a universidade e me traria de volta por 7 reais. *Cara de pau*. Ele simplesmente respondeu que estava bem perto de onde eu estava, e que logo chegaria. Maravilha.

Coloquei o capacete. Tensão. Fedia a Kriska Jeans misturado com Kaiak. Meu estômago embrulhou mais um pouco, e eu pensei “Seja forte, é para o bem das plantinhas!”. O João Batista andava a 10km/h. E eu desesperada, com aquele cheiro de Bygon, que era o perfume no capacete dele. Aí ele começou a conversar, e diminui a velocidade da moto. Perguntou se eu era dessa cidade mesmo, se morava com a minha família, se tinha muitos amigos, o que eu fazia… E Eu fui ficando com medo. Então ele fez a pergunta que eu estava esperando: “Você tem namorado?” Sim, foi a resposta. Logo ele perguntou se meu namorado estudava comigo… “Não, ele já se formou. Trabalha na polícia.” Pensei que ele fosse parar com as perguntas. Mas isso só durou 10 minutos.

10 minutos é tempo mais que suficiente pra chegar à faculdade de moto. Mas o João Batista demorou uns 25. E meu estômago embrulhado… Eu queria vomitar. Eu queria que ele me deixasse em paz.

Mas não, ele me perguntou se eu saia muito com meu namorado, e eu disse que não. Bom, então João Batista abriu seu coração e me contou tudo sobre a vida dele. 40 anos, chaveiro e moto taxista. Namora uma moça de 20, com quem mora há 3 anos, e sai bastante. Para churrascarias, pizzarias, forrós e sinucas. E cinema (Ele não falou, mas acredito eu que seja para o Cine It.. hehehe). Mas ultimamente, eles têm brigado muito, porque ela é ciumenta. Ela tem medo que ele carregue alguma mulher e ‘dê uma escapada’. Aí ele me disse que isso acontece muito, mas que desde que começou a namorar ela, está tentando respeitar. *Medo*. Não parou por aí. Falou, falou, falou… E eu só queria chegar logo.

Chegamos, entrei no bloco, mas tranquei por dentro, com medo de ele entrar atrás de mim. Dei uma olhada nas minhas meninas… Aguei, verifiquei se o solo estava bom, contei o número de sementes que já haviam germinado. Levei uns 5 minutos pra isso. Hora de voltar.

João Batista me trouxe de volta, falando e falando, e perguntando sobre o meu namorado, se ele era ciumento, se eu já tinha traído ele. Aí perguntou se eu sabia dirigir moto, e disse que da próxima vez que eu chamasse ele, ele ia me deixar dirigir a moto dele. Disse que ia me levar pra um lugar mais afastado, pra eu dirigir a moto dele, mas que não era pra eu contar pro meu namorado, pra ele não ficar com ciúmes.

Gente, a cada pergunta, a cada comentário, eu sópensava na resposta mais breve, na que não iria se transformar em mais uma pergunta.

Então ele me deixou em casa, perguntou se eu tinha o telefone dele, se eu ia ligar, disse que estava esperando eu ligar. Eu disse que sim, que quando eu pudesse, ligaria.

João Batista N.

Campanha: Faça um marcador para quem você ama!

Postado em Coisas com as tags , , , , em novembro 12, 2009 por romildejunquera

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Então eu recebi esse e-mail de uma amiga muito muito amada:

“Amore, tive uma ideia!
Quando eu era aupair, Sharon e eu sempre faziamos isso. Aliás, era até chato, pq ela só queria fazer “bookmark”.
Então… eu pensei isso pq estou precisando de um marcador de livros!
E me veio na cabeça ” A Ro é tão criativa… queria um marcador de livros feito por ela!”
O que vc acha da gente trocar marcadores?
Eu faço um pra vc e vc faz um pra mim.”
Eu adorei a idéia, e adaptei pro meu projeto de incentivo à leitura. Fiz um marcador bem lindo, para servir de exemplo. Chegando lá, falei sobre os livros, como consta no projeto, e disse que faríamos marcadores pra trocar entre a gente. Cada um tirou um papelzinho com o nome de um coleguinha, e deveria fazer um marcador de páginas que combinasse com o colega. O tamanho do marcador, eu padronizei dando a eles a tira de papel onde eles fariam o marcador. Usamos cola, muuuuuitas revistas pra eles recortarem e fazerem suas colagens, adesivos e canetas coloridas. Quem terminava, levava até mim, e eu passava papel contact.
Essas dinâmicas envolvem as crianças,  podem ser perigosas, porque elas se empolgam e tem que ter jogo de cintura pra não perder o controle da classe. Então eu disse que ninguém podia ver o marcador do colega antes da hora de trocar os marcadores, e que por isso cada um deveria ficar na sua carteira e cuidar do marcador que estava fazendo. Funcionou bem. Resultado: fizemos marcadores lindos, as crianças ficaram empolgadas, e eu incentivei cada uma a ir a biblioteca e pegar um livro, e usar o marcador.
Mas eu fui além: fiz um marcador pra minha amiga, o tema é “Coisas que eu desejo a você”, na frente, e atrás há um caça palavras com coisas que desejo a ela,  amor, sexo, felicidade, cinema, etc… Já enviei e estou esperando o meu chegar pelo correio. Mas eu gostei tanto da idéia, que resolvi fazer marcadores pra algumas pessoas especiais, e que gostam de ler. Pra cada pessoa, um marcador diferente, que tenha a ver com a sua personalidade.
Agora, estou lançando a campanha: Faça um marcador para quem você ama.
É um presente muito legal de se receber, e quem recebe também fica feliz. Essas coisas que a gente faz têm mais valor.
E, ainda uma segunda proposta: Envie um marcador de páginas para mim! A quem enviar, eu mandarei um de volta.
Quem quiser me mandar um marcador e receber um em troca, deixe recado que eu envio o meu endereço!
Espero receber muitos marcadores!

Utilidade pública: cinefilia!

Postado em Coisas com as tags , , , , , , em novembro 7, 2009 por romildejunquera

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"Eu os encontrei juntos"... "Quem?" .. "A Alex e esse menino, Alvaro"..."Juntos como?" ... "Ela estava em cima! Enrabando o filho dos seus convidados!"

Eu sou cinéfila, muito cinéfila. Mas por vezes, as obrigações, a faculdade, a difícil vida de escragiária estagiotária estagiária, e as festas  me afastam dos sites de downloads e das tardes e noites de filme e pipoca com calda de chocolate.

Eu gosto de filmes que me fazem chorar. Eu sou chorona por natureza. Choro nos comerciais do Bradesco, aqueles sobre desenvolvimento sustentável, choro por qualquer coisa. Na TPM, então, nem se fala, choro até em comercial de margarina! É difícil não se emocionar, vendo aquelas pessoas Happy-family-life-style de sorriso colgate, tão felizes com seus pães besuntados de margarina tão amarelinha…

Enfim… Eis que há bem pouco tempo, recebi a ilustre visita de duas mochileiras, a Mah e a Vanessa. E elas, super cinéfilas, passaram duas semanas aqui, assistimos dezenas de filmes. Elas reacenderam em meu ser o fogo da paixão por filmes, e desde então, tenho assistido um atrás do outro, e ainda tenho uma lista de 37 filmes pra ver.

Aí me ocorreu de recomendar alguns. O gênero, vocês já sabem: Drama. Oh, dhrama, dhrama, dhrama!

My sister’s keeper (Uma prova de amor). Lindíssimo. A história de uma garota com câncer, e uma decisão em torno disso. Assistimos esse filme entre soluços, não sei qual das três chorou mais, tivemos que fazer pausas pra nos recompormos.

El nino pez (O menino Peixe). Esse está na mostra internacional de cinema de São Paulo. Um filme de sensibilidade e inteligência incríveis, sem ordem cronológica, cheio de detalhezinhos. Duas garotas, duas tragédias, um mito e um amor. Muito, muito bom. Não e fez chorar, mas é um filme mesmo impressionante, daqueles que te dá vontade de acender um cigarro e tomar um café, olhando pro nada, mesmo que você não seja fumante.

Um crime americano (An american crime). Conta a história de uma mãe que sacrifica uma garota pra salvar a família, e depois acusa a família pra se defender, no auge da insanidade. Chorei baaaaaaaldes, fiquei abalada, horrorizada. Excelente filme, e a história é real.

Outros filmes muito bons: XXY, The quiet (o preço do silêncio), The boy in the striped pyjamas (O menino do pijama listrado), Psicose (esse é bem antigo, é ótimo, é aquele da clássica cena da faca e  a musiquinha sinistra de fundo..), Gilbert Grape, aprendiz de sonhador. Fica a dica. E você, se assistiu um filme massa, deixe a sugestão aqui pra eu ver também! Obrigada!

Expelindo

Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por romildejunquera

Ok, todos sabemos que a tosse, assim como o espirro, é um mecanismo de defesa do organismo.

Se há algo no trato respiratório, você tosse ou espirra até expulsar. E foi assim que eu tossi até meu corpo conseguir expulsar totalmente algo de mim.

A voz.

Pegadinha!

Postado em Querido Diário... com as tags , , em agosto 27, 2009 por romildejunquera

Era uma sexta e eu tiinha uma cortesia para uma boate local, e a amiga promoter fazia questão que eu fosse. Mas aqui em casa ninguém estava a fim, pois estava rolando uma festinha aqui, então eu fui sozinha.

Chegando lá, cumprimentei um colega que não sabia se entraria ou não, e entrei. Estava eu dançando sozinha, quando vejo do outro lado da pista, também sozinha, uma garota de quem eu vinha fugindo. Pensei ‘pronto, se ela me acha aqui, vou ter que ficar com ela, já que eu tô sozinha e ela também’. E fingi que nem a vi. Naquela noite minha única intenção era dançar muito e me divertir sozinha.

Mas a Michele que reside em mim não aguentou e ficou LOU-CA quando viu uma certa moça entrando. Linda, lindíssima. Alta, magra, cabelos encaracolados, um sorriso perfeito… Me olhei no espelho, eu estava no meu estilo ‘vou confortável pra balada’, de regata, jeans e all star. Olhei pra moça, de vestido cinza, uma faixa na cintura dava um tchanz no visual e marcava as curvas da silhueta perfeita… Ela além de linda estava elegantérrima.

Como e estava na minha fase auto-estima-eu-não-tenho-nada-a-perder, fui dançar perto dela. Peguei ela olhando pra mim e fiquei sem saber se ela estava de fato olhando, ou se era presunção minha. Então a vi na companhia daquele colega, e pensei ‘pronto, é a deixa!’. Fui até lá falar com ele, mas pra minha angústia, ela tava de costas e não me viu, e o polha não apresentou… Eu disse a ele que ia buscar uma bebida, ma quando voltei eles não estavam lá. Eis que de repente passam por mim, eu abri um sorriso pra ela, esse sorriso munito que mamãe deu, e ela sorriu de volta, e abaixou os olhos, um pouco sem graça. Tão meiga, achei tudo! Daí ele me viu e falou pra eu ir pegar a minha fita pra a gente subir pra área vip.. eles me esperaram e eu peguei. Ele foi indo na frente, ela seguindo, e eu, muito esperta pra não me perder em meio à multidão, peguei na mão dela… Ela apertou minha mão e passou o dedão pelos meus dedos, e a gente foi brincando com os dedinhos até lá em cima, na pista.

Hahaaaaaaaaaaaaa! Fiquei com a moça. De perto, era ainda mais linda. Uma das mais bonitas que já beijei, sem dúvida. Olhos claros, dentes alvíssimos, cheirosa, bom gosto musical, bom papo, beijo gostoso, eu nem estava acreditando!

Em dado momento, ela me pediu pra acompanhá-la al banherón, e adivinhem o que aconteceu???
Eu só ouvia a moça chamando o hugo, dentro da cabine. Afffff!
Quando ela saiu eu perguntei se estava tudo bem, ela disse que sim, fez a manca, devia estar constrangida, coitada, então eu fingi que nada estava acontecendo… Fomos pra um lugar mais aberto, e ela encostou  em mim… Disse que levanta às cinco todo dia, e que tava muito cansada… daí deitou a cabeça no meu colo, e eu fiquei fazendo cafuné nela, porque eu sou fofa e compreensiva, e ela era gostosa pra caramba um anjo, um amor. Nessa hora, sinto de repente um quentinho na minha coxa… Minha cabeça a mil.. o que será isso??? A garota havia vomitado no meu colo! Vomitado! Mas era mto pouquinho, eu fingi que n percebi pra n deixar a menina constrangida, mais do que ela parecia estar… Eu disse que precisava ir ao banheiro, limpei aquilo e ponto.

Quando a gente reencontrou as amigas dela, ela disse que n tava se sentindo bem, e as meninas deram água pra ela. Pronto. A menina ia ao banheiro vomitar de 15 em 15 minutos. Aí pediu meu número de telefone, depois foi embora. E eu nunca mais vi a garota linda, fofa, carinhosa, inteligente e simpática, e ela nunca me ligou, tamanha a vergonha que devia estar sentindo. Bem que eu desconfiei desde o começo que era uma pegadinha!

O problema em ser fofa*

Postado em Uncategorized em agosto 20, 2009 por romildejunquera
* Mensagem que recebi minha amiga que amo muito!

Sabe qual é o nosso problema?
Nosso problema é que nós somos fofas! E ser fofa é phoda demais.
Estou me incluindo pq eu sei que também sou!

Eu me importo com as pessoas, eu não me esqueço das pessoas, eu me preocupo em saber se está tudo bem, em mandar mensagens de bom dia pros amigos, em chamar para almoçar (qd eu poderia ir sozinha ou com outras pessoas) me preocupo em saber se a pessoa quer que eu pegue um café (qd eu estou a caminho para pegar o meu) Qd estou numa lanchonete, sempre me atento pra ver se tem o docinho que uma amiga gosta tanto e trago pra ela. :)

Qd vou marcar massagem (todas as terças tem massagem por aqui e precisa colocar o nome na lista) eu sempre marco pra mim e pra uma outra colega que gosto muito. Nunca esqueço, nunca!
Mas sabe o que acontece? As pessoas esquecem da gente. Eu não quero retribuição, pq não faço pensando no retorno, mas o mínimo que a pessoa tem que fazer é retribuir sim! É ter carinho não por vc, mas pelas coisas que vc tem feito por ela.

Amizade, amor, são vias de duas mãos.
E sabe qual é o nosso problema? nenhum!
Esse mundo que é muito egoísta e pequeno para nós!

No livro que estou lendo (Amor líquido) o autor disse uma coisa interessante na última página que li nessa manhã: “nao se deixe apanhar. Evite abraços muito apertados. Lembre-se de que, qt mais profundas e densas suas ligacoes, compromissos e engajamentos, maiores os seus riscos.. Nao confunda a rede com uma malha, essa coisa traiçoeira que, vista de dentro, parece uma gaiola. (…) apostar todas as suas fichas num so numero é a maxima insensatez.”

Forte, né?

Pensando com nosso coração amanteigado, frouxo e dependente, isso é quase um afronto ao amor que sentimos, ou que queremos um dia sentir! à esse amor que pensamos existir e que na verdade, não existe, pq não vivemos mais em tempos que seria possível a existencia de algo tão puro e singelo.

Mas eu vou levando…
(8) pq o acaso é amigo do meu coração…
Amo vc :)

Ninho

Postado em Uncategorized em agosto 14, 2009 por romildejunquera

tristeza

No calor do teu regaço fiz meu ninho
E meu ninho no teu colo era meu mundo
Mas num segundo tudo muda, muda muito,
E o teu lapso ciúme fez-se fato
E o meu pranto não se fez jamais ouvido
Dos meus soluços, do meu choro reprimido,
Nunca mais se fez-se um rápido sorriso
Vi calado o nosso céu virar inferno
Era tão pequeno e tão profano
O teu amor que me juraste ser eterno
Que me vi terreno, sujo, só, insano…
Na frieza do teu laço me fiz lúgubre
No regaço, no teu colo, fiz meu ninho
E meu ninho no teu colo se fez leito…
Da frieza do teu gesto fiz um laço
E então dum salto incerto me fiz fúnebre
E o fim do nosso amor foi meu baraço.

*regaço = colo
*lúgubre = relativo a luto, triste, escuro, medonho
*baraço = a corda do enforcado