Cotidiano

Publicado em Poética, Uncategorized às Junho 13, 2009 por romildejunquera

Hoje vou contar uma história diferente. Diferente porque é uma história  sobre lésbicas, mas sua orientação sexual  não é o foco da história. Podiam ser dois homens. Podiam ser um homem e uma mulher. Podiam ser Eros e Psiquée. Mas eram Rafaela e Flávia.

Rafaela era uma moça alta, bonita, usava aparelho nos dentes e sempre uma presilha no cabelo. Fazia Matemática, mas adorava português. Literatura. Lia muito, adorava especialmente mitologia. Era um pouco preguiçosa, mas no fim acabava por fazer tudo o que precisava fazer, mesmo que de ultima hora, virando madrugadas para entregar os trabalhos, sempre impecáveis. Era muito segura e tranquila, não era muito ciumenta, nem muito carinhosa, também. Amava a namorada, Flávia, mas não era do tipo que fazia surpresas e declarações.

Flávia era linda. Uma morena baixinha, vaidosa, sempre muito bem arrumada, simpática e sorridente. Cursava odontologia, e era extremamente dedicada, sempre fazia as coisas com antecedência, pois não tinha muita facilidade com as matérias. Era muito ciumenta, um pouco controladora, extremamente romântica, adorava fazer surpresinhas, tentava não deixar o relacionamento cair na rotina, fazia de tudo pra que Rafaela sempre soubesse o quanto era amada.

Rafaela era mais independente e mais madura, era quem tomava as decisões mais responsáveis, embora às vezes exagerasse. Flávia era mais impulsiva e um pouco mimada, mas era quem se doava mais, embora às vezes sufocasse um pouco.

Era uma quinta feira. Flávia chegou às 19. Rafaela havia feito uma lista de reprodução muito legal com as músicas preferidas das duas, pra namorarem ouvindo. Não pela namorada, talvez, mas porque ela gostava. Elas se abraçaram, não se viam desde domingo, não com a paixão dos casais novinhos, mas com braços cheios de carinho, e uma coisa boa no coração, meio que um sentir-se em casa. Assistiram a um filme de Capra que Rafaela baixara da internet, Flávia não gostou muito, preferia comédias românticas. Depois comeram nuggets, desceram à esquina pra tomar sorvete, voltaram pra casa e se deitaram juntas, ficaram conversando um pouco, Flávia falava sem parar, Rafaela ouvia com atenção, mas não falava nada, não comentava, mal respondia. Não havia o que dizer, ela sabia que Flávia não queria respostas pras suas perguntas, só queria externar as perguntas. Se amaram ouvindo a playlist, e ficaram abraçadas depois. Flávia apertou Rafaela com gana, soltou, deu um beijo no rosto. Ficaram em silêncio. Depois perguntou:

_Onde você estava ontem? Te liguei depois da sua prova…
_Fui pra um bar com a galera da faculdade. Comemorar o fim do período, nossa, última prova, finalmente o…
_Se você ficou livre por que não foi lá pra casa?
_Eu tava cansada, dormi duas horas só noite passada. Só o que eu queria era tomar alguma coisa, chegar em casa cedo e descansar…
_Poxa, sempre que eu fico livre na faculdade venho correndo te ver! Você não podia descansar na minha casa comigo? Bar é lugar de descansar?
_Ah, linda, eu não queria pegar metrô, ônibus… Só queria uma noite de paz. Fiquei uns trinta minutos no bar, só.. O tempo de tomar uma caipirinha. Eu estava cansada. Também, eu sabia que você ia vir hoje, então não me preocupei, já que a gente ia se ver logo, mesmo. Eu também estava com saudade, tá?
_Tá, né…
_…
_Quem estava no bar?

E começaram a brigar, porque havia uma menina com quem Rafaela já havia ficado, no bar. Coisa do passado. Flávia sentia o ciume apertando o peito. Ciume é mesmo uma coisa irracional. E Rafaela tentava argumentar, mas não havia o que dizer, ela não tinha culpa, não fizera nada de errado. De repente levantou-se da cama, interrompendo a discussão.

_Onde você vai?
_Embora.
_Embora pra onde? Você está na sua casa!

Mas Rafaela não deu ouvidos. Abriu a cortina, abriu a janela, colocou o pé no parapeito.

_O que você está fazendo, sua doida? – Flávia pensou que fosse alguma brincadeira. Rafaela era uma pessoa séria e sensata, nada no mundo faria ela se jogar do terceiro andar.
_Flávia, o amor não vive sem confiança.

Ficou em pé na janela pro lado de fora, pulou.  Abriu as asas e desapareceu por entre nuvens de fumaça do céu de São Paulo,

…mas ainda não terminou!

Publicado em Uncategorized às Maio 24, 2009 por romildejunquera

eu_e_tu

A tecnologia invade a nossa vida de uma tal maneira que o virtual e o real se confundem, se misturam.

Ás vezes o virtual faz falta ao real. Sexta, por exemplo, após dizer “sim, pode apertar esse botão”, tudo o que eu queria na vida era que houvesse um ctrl Z pra eu recuperar as trocentas fotografias perdidas. Perder fotografias dói.

Também, por vezes, o real faz muita, muita falta ao virtual. Agora, diante do computador, vendo fotos, lendo conversas, tudo o que eu queria era que isso fosse real novamente.

Foi uma semana incrível!

Temos sempre que lembrar: não precisa ser pra sempre pra valer a pena. Valeu demais!!!

(e principalmente, não se esqueça: ainda não terminou!!!)

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?

Publicado em Uncategorized às Maio 16, 2009 por romildejunquera

tigreO mundo animal é cheio de perigos, e também cheio de maneiras de se livrar desses perigos. Alguns animais se camuflam, outros mimetizam (aparentam-se com outros animais mais ofensivos), outros fazem tanatose (fingir de morto), dentre outras tantas técnicas. Eles evoluiram aprendendo a lidar com esses perigos. De repente entra o homem nesse meio e, eventualmente, se ferra.

Você está passeando por alguma floresta e, de repente, surge um gorila. Portanto, na África, obviamente. Ele avança pra cima de você batendo nos peitos… Aquele bicho enorme, cerca de 2 metros de altura e 200kg, com a força muscular de sete homens adultos. O que você faria??? Ou ainda, mudando da África para a Índia, você depara com um enorme tigre. Os tigres são os maiores felinos existentes. E agora? Você correria? Ficaria parado? Uma cobra, na Amazônia. O que você faria??

Os grandes predadores da natureza se comportam de maneira diferente em relação à suas presas. Primeiramente, o homem não é presa preferida de bicho nenhum.. Mas invadindo o espaço deles, pode ter certeza: deu mole, vira PF (prato frio feito, caso você não seja universitário e não saiba o que é isso!). O procedimento correto perante um gorila, seria ficar paradinho e abaixar a cabeça, pois se você encarar um primata, ele se sentirá desafiado. Outra coisa: Gorilas não comem carne, eles só comem fruta. Mas isso não significa que não possam atacar. Outros grandes primatas, como o Chimpanzé, são onívoros, isso vale pra eles também.

Mas os tigres, esses são terríveis…sorrateiros. Não se ouve um tigre andar pelas folhas, ele não faz nem barulho. E só ataca pelas costas. Então se um tigre aparecer, meu amigo, encara ele nos lhos e fica paradinho. Primeiro que correr não adianta, ele corre muito mais. Segundo porque correndo você dá as costas. Tem relatos de tigre que caça de cima das árvores…As pessoas andam em fila indiana, você na frente, de repente faz uma pergunta e seu amigo não responde. Pode olhar pra trás que não tem ninguém, o tigre pegou. Tem relato de gente que foi pega por tigre de dentro do barco. O barco passou por debaixo de uma árvore, e o tigre pescou.

E cobra? Tem cobra que o melhor é ficar parado, beeem parado. Mas também tem cobra que não se orienta pelo movimento, e sim pelo calor. E elas são tão sensíveis que percebem alterações da ordem de 0,5 ºC. Tem que conhecer a cobra pra saber se é melhor correr ou ficar parado, mas como a natureza não dá tempo pra apresentações… Enfim… O que eu concluo disso tudo, é que se me encontrar numa dessas situações eu prefiro morrer do coração logo de uma vez.

saudade…

Publicado em Poética com as tags , às Abril 29, 2009 por romildejunquera

lesbicas2

(Tenho sentido saudades de coisas que nem vivi)

No teu corpo repousa minha saudade..
dos teus franzires, dos teus sorrisos
e no meu sorriso repousam teus gemidos
e no teu repouso, meu regozijo…
meu gozo!

Um fiel feliz

Publicado em Na labuta com as tags , , , , às Março 31, 2009 por romildejunquera

Ostentação da riqueza material, que, de acordo com a teologia da IURD, é uma dádiva de Deus

Ostentação da riqueza material, que, de acordo com a teologia da IURD, é uma dádiva de Deus

Se você frequenta esse blog, já sabe que apesar de respeitar a fé, abomino religiões. Religião é história. Invenção humana. A Fé, eu compreendo, é algo que se sente. A religião é uma mentira que foi contada até que se tornasse verdade para diante da fé das pessoas. À parte as questões filosóficas que me fazem desacreditar nas religiões, há questões práticas: religião virou meio de vida, tomou conta dos meios de mercado. Pessoas fazem atrocidades em nome de seus deuses. Pessoas fazem sacrifícios pessoas em nome da religião.

Pois bem. Ontem recebi um e-mail com fotografias da Mansão de Edir Macedo em Campos de Jordão (SP), e fiquei indignada. Como não sou leviana e não pretendo, com esse post, nenhum tipo de sensacionalismo, preciso dizer: Há controvérsias sobre a veracidade dessas fotografias. Mas foram gastos 240.000 mil reais em mármore, trazido da itália, para as ornamentações. Mas a mansão tem 35 cômodos ao todo, construídos sobre um terreno de 2.000 m², e foi avaliada em R$ 6.000.000. Seis absurdos milhões de reais. Essas, sim, são informações confirmadas, e tornam as fotografias desnecessárias à minha indignação.

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) prega o dízimo e as ofertas voluntárias a Deus, mas a forma como os fiéis são coagidos a ‘doarem’ o dízimo já foi motivo de inúmeras denúncias, a exemplo daquela feita pelo Jornal Nacional em 1995 (Sobre como Edir Macedo ensina os bispos e pastores da IURD a extorquirem os fiéis). Embora o dízimo devesse ser doado, há um caso que preciso relatar: um grande amigo da minha família foi contratado para fazer a segurança de um evento da IURD. A orientação que ele recebeu foi de não deixar ninguém entrar sem dar o dízimo. Eis que chegou uma mãe desesperada, com seu filho doente, para a celebração, posto que a libertação dos espíritos malignos e a cura de qualquer doença também são doutrinas daquela igreja. Mas a mulher não tinha dinheiro. Compadecido, tocado pela incrível fé de uma mulher que chorava à porta, dizendo que precisava assistir ao culto para a cura de seu filho, o segurança foi pedir uma nova orientação, e a resposta, pasmem, foi que ele não deixasse a mulher entrar.

Chega a ser desnecessário dizer que o que aconteceu vai contra tudo aquilo o que eu acredito que deveria ser a base de uma igreja. Mas eu compreenderia se vocês não acreditassem nessa história, posto que sou declaradamente uma pessoa revoltada para com as igrejas. Vamos falar então de coisas mais concretas.

A IURD está presente hoje em pelo menos 172 países. No Brasil, possui, segundo as últimas estimativas, cerca de 15 milhões de fiéis, dos quais grande parte pode pagar seus dízimos com cartão de crédito, posto que muitos dos templos possuem a maquininha para que, aqueles que esquecem o dinheiro em casa não percam a oportunidade de exercitar sua generosidade.

O fundador da IURD, Edir Macedo, é também dono da Rede Record de Televisão, Rede Família, Record News, Line Records, Rede Aleluia, formada por 65 emissoras de rádio e um parque gráfico o Universal Produções. Tem graduação e doutoramento pela Faculdade de Educação Teológica no Estado de São Paulo. É autor de livros como “Orixás, Caboclos e Guias – Deuses ou Demônios“, que lhe rendeu um processo por apresentar opiniões discriminatórias contra o espiritismo e a religiões afro-brasileiras, e “Castigo Divino”, que me rendeu boas risadas.

Neste último, Edir condena o sexo anal, dizendo que o ânus compara-se ao esgoto, onde só vivem ratos, baratas e mendigos. Condena o sexo oral, como se algumas partes do corpo fossem endemoniadas e outras santificadas, condena a posição ‘cachorrinho’, como se a posição em que você faz sexo o tornasse mais pecaminoso. Segundo o Bispo, “O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a mulher deve estar orando ao Senhor para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. Depois do ato sexual os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência o açoite com vara de bambu é aceito em forma de purificação.” Ou seja: você tempera a vagina e o pênis, e faz sexo-salada.  É bem light, come não fica com peso na consciência. Saudável e, o melhor: sins free! Totalmente livre de pecados.

Mas se nos momentos de tentação, você se esquecer de uma das etapas desse processo que é um verdadeiro Protocolo, sua alma não estará perdida: você poderá ir a uma sessão de Desencapetamento Total, que a IURD oferece frequentemente.

Edir Macedo e sua corja igreja são ferramentas de lavagem cerebral. Fazem a cabeça dos fiéis, os extorquem, e levam vidas confortáveis às custas do sacrifício e do trabalho dessas pessoas. Ele sim, é um fiel feliz.

Ode a São Paulo

Publicado em Uncategorized às Março 24, 2009 por romildejunquera

sampaCostumo dizer que Minas é o Estado do meu coração, pois foi onde comecei a construir a minha vida sozinha, foi onde começou a minha independência e a minha aprendizagem, e as minhas experiências, e blah blah blah…

Mas sinto saudade de São Paulo, uma saudade que não sei explicar, é como a nostalgia de uma coisa que eu nem cheguei a conhecer… Como sentir saudade de uma ilusão. (Não, não sou esquizofrênica.)

É porque eu não cheguei a MORAR na capital, mas tenho saudade da idéia que eu faço de como seria. Os eventos, os shows incríveis, os teatros, as praças, os museus, as oportunidades, a correria, a movimentação, a diversidade, e até a insegurança, a incerteza, o medo, o perigo, vai, que adrenalina é uma delícia!

Tá bom que Sampa tem lá suas incoerências… Por exemplo, se é Terra da Garoa, devia se chamar São Pedro, e não São Paulo… Mas tudo bem, vamos relevar. Pra ilustrar, minha Ode à terra que carrego nos sapatos:

Andando pelas ruas, ruídos.

Pessoas a largos passos, passam por mim

Sem me ver, velozes, eu as vejo:

Gente de todo jeito, de todo gene,

Estereótipos, tipos estranhos.

A pressa impressa no ritmo,

Ambulantes cantando preços.

Gravatas, canetas gravadas, homens,

Mendigos, meninos vendendo doce.

Esquinas, meninas vendendo ventre

O trem, o metrô, o trabalho…

A economia,  o milhão e a miséria

Conurbação de tempo, de espaço, de tudo

O mundo todo num ponto do mapa.

Coisas que eu aprendi morando sozinha I

Publicado em Na labuta com as tags , , , , às Março 21, 2009 por romildejunquera

Quando você sai de casa, digievolui¹ 3 anos a cada ano, praticamente. Descobre, aprende, compreende… Percebe que é o começo do seu desenvolvimento pessoal, longe da barra da saia da mãe.

Uma coisa pra anotar e nunca se esquecer em face às diversas experiências, é: experiências negativas também são experiências, e resultados negativos, também são resultados (inclusive, algumas vezes, resultados negativos são desejáveis, vide os exames de HIV).

Algumas constatações são deveras muito práticas. Deixar a roupa no banheiro enquanto você toma banho, exclui a necessidade de passar roupa, se você for daquelas pessoas que toma banho fervendo. Se você toma banho gelado, pendure a roupa no varal já bem esticada, de preferência cada coisa em seu cabide, que além de eliminar o trabalho de passar, fica mais prático pra guardar.

Maaaaas… Se você, como eu, concorda que em dia de reuniões com o orientador a roupa tem que estar impecável e passada, vai a dica: não se passa roupa de Lycra com ferro quente. É uma experiência negativa interessante. Quando você chega o ferro perto, ele puxa a blusa, ela gruda no ferro! Quando você separa esses pombinhos, a blusa está com a marca do ferro, e o ferro está cheio de tecido. É aquela velha história de deixar um pouquinho de si e levar um pouquinho do outro, eu acho.

Mais uma coisa sobre ferros e roupas, é que se você não tirar o tecido do ferro antes de passar uma terceira roupa, ela mancha.

Conclusão: Morar sozinha faz com que seu guarda-roupas fique… digamos… mais enxuto, mais light…

Algumas constatações, são deveras interessantes, praticamente estatísticas:

De cada 3 hot-dogs que você comer nos carrinhos de hot-dog a caminho de casa, um te dará intoxicação alimentar.

De cada 3 infecções alimentares que você tiver, uma te levará para o hospital.

De cada 3 vezes que você for parar no hospital por intoxicação alimentar, em uma será detectada infecção intestinal.

O que você aprende com tudo isso??? Alguns antibióticos e muitas horas no banheiro depois, está tudo certo.

Deus protege os universitários, aleluiairmão, amém.

1 Outra coisa de morar com outras pessoas, estar em contato com muita gente, é a conurbação de vocabulários. Essa veio diretamente de Assis, do vocabulário da Gabi! ^^’

Venho a público me retratar…

Publicado em Na labuta com as tags , , , , , , às Março 12, 2009 por romildejunquera

… pela violência gratuita com que comentei no post do sr. AllenPorto em seu blog, e ainda dar-lhe uma resposta fundamentada, como ele mesmo sugeriu.

Compreenda essa questão visitando este e este posts do blog A bíblia, o Jornal e a caneta.

Prezado sr. Allen Porto.

Gostaria, antes de mais nada, de me desculpar pela aparente violência gratuita em meu comentário: eu sou uma pessoa muito pacífica, e jamais teria coragem (nem força, pra ser honesta) pra bater em alguém, muito embora meu senso inconseqüente de humor me permita afirmar isso. É claro que o Sr. não é obrigado a adivinhar o quão sério é cada comentário, por isso venho me retratar. Ainda, preciso esclarecer, pois aparentemente o Sr não compreendeu isso, apesar de sua notável capacidade de fazer trocadilhos, que Junquera, R., não é uma maneira de camuflar minha identidade, e sim uma alusão à minha profissão, em que se assina com o sobrenome, e apenas a inicial do primeiro nome. A figura de palhaça, por sua vez, é uma alusão aos elementos mágicos e poéticos circenses, logo, eu não compreendi a conotação pejorativa que o Sr. deu ao seu comentário ao mencionar a referida imagem.

Sr. Allen, se me permite, compartilharei com o Sr. algo de minha vivência. Para mim, deus e a ciência são domínios diferentes, a ciência não deve tentar explicar algo que apenas se sente, que é deus. O problema reside no fato de os homens terem inventado a religião. Sim, porque o Sr, letrado como é, já deve ter atentado para o fato de que só é cristão porque nasceu em tempo e lugar cristãos, e que se tivesse nascido em outro lugar e em outro tempo, podia ser seguidor de Mithra, Baal, Jah, Thor, Zeus, Alá, Wotan, e só Deus sabe quem mais. Isso porque, Sr. Allen, na minha humilde e particular concepção, a única verdade em todas as religiões é a fé. O resto é história. A fé é real, os livros que os homens escreveram, os cultos que eles inventaram, tudo é fruto de sua criatividade.  Ou o Sr. me diria que o nome que o Sr dá ao seu deus, e a forma como o cultua são corretos, e todos os outros povos estão errados?

Eu não acredito na bíblia como livro sagrado, mas a respeito muito como documento histórico e principalmente como obra literária: a forma como Deus fez o homem do barro (terra + água + fogo) e deu-lhe a vida acrescentando o quarto elemento (ar) num sopro, é deveras linda. Mas tem muitas coisas sobre a bíblia que não me permitem aceitar sua seriedade. A forma como a igreja simplesmente omitiu alguns livros da bíblia segundo lhes era conveniente, manipulando a história de Jesus, por exemplo. O Sr sabia que o livro de Isaías provavelmente foi escrito por três (ou mais) autores diferentes, em tempos bem distantes? E eu ainda poderia citar dezenas de incoerências bíblicas, mas definitivamente, não tenho nenhum interesse em que o Sr. acredite no que acredito, o que quero esclarecer, Sr Allen, está além, muito além daquilo em que eu acredito ou não, e também muito além daquilo em que o Sr. acredita ou não. O que quero esclarecer não se sustenta pela minha, nem pela sua fé, mas sim em fatos.

Quando afirmo que o Sr. Adauto Lourenço é charlatão, sensacionalista e manipulador, baseio-me em fatos. O Sr. Adauto utiliza-se de argumentos científicos descontextualizados para derrubar uma teoria científica perfeitamente plausível, e corroborar o criacionismo, uma teoria embasada em fonte, a meu ver, não muito confiável: a bíblia.

O primeiro absurdo proferido pelo Sr. Adauto foi o de que a terra teria entre 10 e 13 mil anos, acho que nem preciso contestar isso, pois seria subestimar a sua inteligência. Ele ainda define conceitos, tais como evolução, macro e micro evolução, de maneira distorcida, irresponsável e conveniente. Conveniente para ele e para o criacionismo, obviamente, e não para o que parecia um objetivo nobilíssimo, que foi o que me levou a ler seu post e assistir ao vídeo: Conhecer argumentos imparciais das duas vertentes. A teoria da evolução, prezado, jamais se propôs a explicar a origem da vida, o que ela explica com parcimônia, por sinal, é a diversidade de formas de vida que temos hoje. Ainda, organismos não evoluem, individualmente, e é a seleção natural, e não a evolução, que permite apenas aos mais hábeis sobreviverem. Eu também gostaria de dizer que, segundo um artigo publicado no periódico científico Science (esse sim, indubitavelmente confiável e criterioso), o animal que tem mais aminoácidos no citocromo c em comum com o homem, é o chimpanzé, animal esse, que possui, segundo os estudos mais recentes, mais de 97% de seu DNA em comum com o DNA humano – mais uma evidência de que nós, hominídeos, e os macacos, pongídeos, derivamos de um mesmo ancestral.

Eu ainda poderia citar outras inverdades e gafes que o Sr Adauto cometeu, e refutá-las oferecendo as referências bibliográficas cabíveis, sem medo de estar sendo leviana, posto que a publicação científica, como o Sr. deve saber, é experimentada, testada e muito bem embasada em dados e resultados reais, mas penso que os supracitados já são suficientes.

 Um dos preceitos da filosofia da ciência é o de que nunca se atinge a verdade, posto que ela é relativa. O conhecimento está sendo sempre acrescido. Há muitas lacunas na ciência, sim. Parte do conhecimento transmitido nas escolas, realmente não pode ser admitido como a verdade pronta. Entretanto, podemos propor teorias como a do surgimento da vida, que é muito plausível, e aceitá-las em função de centenas de estudos, experimentos, dados, análises, simulações e etc. que as corroboram e evidenciam.

Eu não vou lhe perguntar como ou quando seu deus surgiu, ou como ele agiu, Sr. Allen, pois não cabe ao domínio da ciência questionar o que é referente ao domínio da fé. Penso que também não cabe a nenhuma religião tentar responder com magia e milagres o processo físico, químico, contínuo, lento, real e natural que foi e é o surgimento da vida, bem como sua transformação.

Sem mais para o momento e, atenciosamente, Junquera, R.

Prezado sr. Ladrão

Publicado em Querido Diário... com as tags , às Março 11, 2009 por romildejunquera

lobo

A minha casa foi roubada, senhores.  A queridíssima Rep. Amarela, lugar das melhores festas, dos melhores amigos, tem um amigo da Onça. A casa foi aberta com chave, e a pessoa que roubou e tentou entrar novamente no dia seguinte, conhece a casa, conhece os moradores, e conhece nossos horários  também.

Não dá pra achar uma lógica pro fato de ele ter roubado a câmera e não ter levado o dinheiro que estava do lado. Ou pro fato de ele ter levado o notebook e não ter levado o mouse, e o dinheiro que estava em cima do notebook.

E agora novos fatos aparecem na vizinhança. Um tarado, um carro branco, e a vizinha me garante que já nos viu conversando com o tarado do carro branco.

Eu só vou conseguir dormir em paz quando pegar esse cara. E eu VOU pegar.

Então, sr. Ladrão, se o sr. quiser um acordo de cavalheiros, devolva as chaves, o notebook, a câmera, a pen drive, e ficaremos como estamos. Caso contrário, saiba: NÓS ESTAMOS NA SUA COLA, EU VOU PEGAR VOCÊ!

Racismo

Publicado em Querido Diário... com as tags , , às Março 5, 2009 por romildejunquera

racista

Hoje um molequinho branquelo, bem na minha frente, derrubou um pretinho e o xingou de preto macaco.

NA MINHA FRENTE!!!

Imaginem a cena… eu olhei pro garoto… no máximo 5 anos. Menor que eu. Olhei em volta. Ninguém por perto. Nenhuma mãe nos arredores.  Agarrei o menino pela camiseta e puxei, ele se debateu violentamente, mas não me acertou. Eu ia dar uns tapas nele bem ali, porque covardia ou não, a vida precisa dar-lhe uma lição, pra ele deixar de ser preconceituoso e não crescer um ordinário racista maldito.

Mas eu não sirvo para ser as mãos da justiça, não tive coragem de dar as palmadas que ele merecia. Segurei as duas mãos dele até ele parar de tentar escapar, e disse: Deixa de ser tonto! Em tempos de aquecimento global, seu amiguinho, que tem muito mais melanina, vai sobreviver e você vai morrer de câncer de pele, seu branquelo!

Soltei, e ele se foi correndo.

Estou certa de que entendeu o recado.