A menina e o carrasco
Chorava. Escorria-lhe pela face, tingia já as rotas mangas, de um encarnado sujo. Olhava a seu redor… os tecidos baratos, de um colorido mentiroso da Costa… cacarecos pelo chão, a velha cama de colchão de molas… a madeira rude da mesa bamba… o plástico barato e desbotado das flores num vaso lascado. Um gosto amargo na boca, gosto de ferrugem, era sangue. Pelas pernas, um poco, também… Não era dele, era dela… mas era dele também… Seu peito apertava, a garganta dava nó, feito mão bem grande apertando a goela… Abriu os olhos… Era mesmo um nó, não havia ninguém ali, nenhuma mão. Medo. Esperava que ele não voltasse… Fechou novamente os olhos e pensou bem forte… Quis bem forte… Ele, lá fora, fumava um cachimbo velho e fedorento, andava no ruma da estrada de terra. Uma volta, só… Satisfeito, ia olhando a lua. Ela, lá dentro, olhava pela janela… A fumaça do cachimbo brincava por vezes de fazer imagens na frente da lua. E a fumaça ia ficando mais apagada, e a menina quis que só naquela noite ela não voltasse. E foi querendo, bem forte, e a lua foi fazendo eclipse nos olhos da menina, que logo se fecharam, e ela adormeceu querendo.
Junho 12, 2008 às 8:37 am
Nossa que triste!
Ainda mais porque eu ouvi dizer que quando a gente ‘quer bem forte’, a gente consegue.
Bjs!
Junho 12, 2008 às 9:25 am
Fiquei angustiado. =(
Junho 12, 2008 às 11:36 am
Lindo e triste! Amei esse texto… combinou com meu estado de espírito de hoje! :]
Junho 22, 2008 às 12:34 pm
sombrio
mas gostei
um pouco triste tbm
parabens pelo blog
quando puder passa la no meu:
http://coisasethings.blogspot.com/