Arquivo para Novembro, 2009

Surdez – Nova orquestra

Postado em Coisas, Poética com as tags , , em Novembro 17, 2009 por romildejunquera

Falar com as mãos, a expressão, o corpo.

Meu contato com o mundo dos surdos foi muito breve. Antes de me encantar com a mímica e a mágica da Danielle, eu não sabia o que era a surdez, socialmente falando. Nosso breve romance ficou registrado nesse humilde blog com uma breve poesia, postada em 3 de novembro de 2008, e que eu reproduzo nesse momento:

Tem um sabor sublime a sua pele
silenciosamente deliciosa…
Nem é preciso palavras, Danielle!

Mostrei a ela, mas ela não compreendeu, porque ela não sabe português, só sabe LIBRAS. E eu tentei aprender LIBRAS pra falar com ela, mas o máximo que consegui foi um português sinalizado. Português, português sinalizado e LIBRAS são idiomas totalmente distintos. E porque eu não soube explicar, nem ela soube compreender, em um mês, a gente se desistiu.

Mas como ser a mesma, depois de conhecer um mundo novo? Digo um mundo novo, porque há um abismo cultural, educativo, social, político e etc entre esse mundo em que vivemos, e aquele, a que, trocadilhos infames à parte, ninguém dá ouvidos.

Desenvolvi projetos educacionais voltados aos surdos, e mobilizei os meus colegas, futuros possíveis professores. Se seremos educadores, precisamos saber ensinar a todo público. O Brasil não é um país de um só idioma, e os surdos têm direito à mesma educação que qualquer alun ouvinte. Um dos meus projetos para um futuro próximo é me especializar, aperfeiçoar a minha proficiência em LIBRAS, e dar aula para crianças surdas. Por agora, não tenho podido fazer nada por eles, mas não os esqueci.

Porque outros compromissos me impedem de me envolver em tal projeto nesse momento, pensei estar temporariamente acabada minha contribuição para com os surdos, mas voltei a utilizar meus conhecimentos muito mais cedo do que eu gostaria. Após um fatídico acidente, uma pessoa muito próxima e muito querida perdeu a audição. O começo, é doloroso e revoltante. Cheio de incertezas, de questionamentos, da falta de hábito, e poxa, da falta de audição! Como eu havia estudado muito a surdez física, a surdez social, LIBRAS e coisas relacionadas ao universo do surdo, pude orientar e sei que fui um enorme conforto naquele momento difícil.

Mas hoje, me lembrei dos surdos e quis escrever isso, porque eles me deram um maravilhoso presente: uma nova, mágica e maravilhosa forma de vê-los. No terminal central de ônibus urbanos, um grupo de quinze ou vinte pessoas conversava, e nenhum ruído se escutou. E eu não senti a angústia das palavras que não saem, da comunicação esmurrando as paredes e as barreiras do corpo, não senti a aflição da incompreensão. Por alguns minutos, observando-os, sem perceber, deixei de escutar o barulho dos ônibus, das pessoas, dos vendedores, do mundo. Eu assistia a uma sinfonia teatral, orquestrada no silêncio da mudez, e ao sabor dos demais sentidos. Com o balanço do corpo, das mão, da expressão. Não é a boca, é todo o corpo que fala, em harmonia.

Aprendi a parar de querer escutar boca.

Obs. Fotografia do Mímico Marcel Marceau, retirada da página no jornal O Globo.

João Batista, mas não o santo

Postado em Coisas, Querido Diário... com as tags , em Novembro 16, 2009 por romildejunquera

St John the Baptist

João Batista - O santo.

Então nesse domingo eu estava passando muito mal, vomitando até a alma, e precisa ir à faculdade observar meu experimento. De ônibus, não conseguiria. No bolso, 7 reais. 7 insuficientes reais para ir e voltar de moto táxi.

Abri minha agenda no celular. Tenho lá uns 15 números de moto táxis legais, e mais 4 com um N na frente, pra eu me lembrar de nunca pegar. Comecei a ler um por um, até chegar em… João Batista. Tem nome de santo, pensei.

Liguei pra ele e perguntei se me levaria até a universidade e me traria de volta por 7 reais. *Cara de pau*. Ele simplesmente respondeu que estava bem perto de onde eu estava, e que logo chegaria. Maravilha.

Coloquei o capacete. Tensão. Fedia a Kriska Jeans misturado com Kaiak. Meu estômago embrulhou mais um pouco, e eu pensei “Seja forte, é para o bem das plantinhas!”. O João Batista andava a 10km/h. E eu desesperada, com aquele cheiro de Bygon, que era o perfume no capacete dele. Aí ele começou a conversar, e diminui a velocidade da moto. Perguntou se eu era dessa cidade mesmo, se morava com a minha família, se tinha muitos amigos, o que eu fazia… E Eu fui ficando com medo. Então ele fez a pergunta que eu estava esperando: “Você tem namorado?” Sim, foi a resposta. Logo ele perguntou se meu namorado estudava comigo… “Não, ele já se formou. Trabalha na polícia.” Pensei que ele fosse parar com as perguntas. Mas isso só durou 10 minutos.

10 minutos é tempo mais que suficiente pra chegar à faculdade de moto. Mas o João Batista demorou uns 25. E meu estômago embrulhado… Eu queria vomitar. Eu queria que ele me deixasse em paz.

Mas não, ele me perguntou se eu saia muito com meu namorado, e eu disse que não. Bom, então João Batista abriu seu coração e me contou tudo sobre a vida dele. 40 anos, chaveiro e moto taxista. Namora uma moça de 20, com quem mora há 3 anos, e sai bastante. Para churrascarias, pizzarias, forrós e sinucas. E cinema (Ele não falou, mas acredito eu que seja para o Cine It.. hehehe). Mas ultimamente, eles têm brigado muito, porque ela é ciumenta. Ela tem medo que ele carregue alguma mulher e ‘dê uma escapada’. Aí ele me disse que isso acontece muito, mas que desde que começou a namorar ela, está tentando respeitar. *Medo*. Não parou por aí. Falou, falou, falou… E eu só queria chegar logo.

Chegamos, entrei no bloco, mas tranquei por dentro, com medo de ele entrar atrás de mim. Dei uma olhada nas minhas meninas… Aguei, verifiquei se o solo estava bom, contei o número de sementes que já haviam germinado. Levei uns 5 minutos pra isso. Hora de voltar.

João Batista me trouxe de volta, falando e falando, e perguntando sobre o meu namorado, se ele era ciumento, se eu já tinha traído ele. Aí perguntou se eu sabia dirigir moto, e disse que da próxima vez que eu chamasse ele, ele ia me deixar dirigir a moto dele. Disse que ia me levar pra um lugar mais afastado, pra eu dirigir a moto dele, mas que não era pra eu contar pro meu namorado, pra ele não ficar com ciúmes.

Gente, a cada pergunta, a cada comentário, eu sópensava na resposta mais breve, na que não iria se transformar em mais uma pergunta.

Então ele me deixou em casa, perguntou se eu tinha o telefone dele, se eu ia ligar, disse que estava esperando eu ligar. Eu disse que sim, que quando eu pudesse, ligaria.

João Batista N.

Campanha: Faça um marcador para quem você ama!

Postado em Coisas com as tags , , , , em Novembro 12, 2009 por romildejunquera

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Então eu recebi esse e-mail de uma amiga muito muito amada:

“Amore, tive uma ideia!
Quando eu era aupair, Sharon e eu sempre faziamos isso. Aliás, era até chato, pq ela só queria fazer “bookmark”.
Então… eu pensei isso pq estou precisando de um marcador de livros!
E me veio na cabeça ” A Ro é tão criativa… queria um marcador de livros feito por ela!”
O que vc acha da gente trocar marcadores?
Eu faço um pra vc e vc faz um pra mim.”
Eu adorei a idéia, e adaptei pro meu projeto de incentivo à leitura. Fiz um marcador bem lindo, para servir de exemplo. Chegando lá, falei sobre os livros, como consta no projeto, e disse que faríamos marcadores pra trocar entre a gente. Cada um tirou um papelzinho com o nome de um coleguinha, e deveria fazer um marcador de páginas que combinasse com o colega. O tamanho do marcador, eu padronizei dando a eles a tira de papel onde eles fariam o marcador. Usamos cola, muuuuuitas revistas pra eles recortarem e fazerem suas colagens, adesivos e canetas coloridas. Quem terminava, levava até mim, e eu passava papel contact.
Essas dinâmicas envolvem as crianças,  podem ser perigosas, porque elas se empolgam e tem que ter jogo de cintura pra não perder o controle da classe. Então eu disse que ninguém podia ver o marcador do colega antes da hora de trocar os marcadores, e que por isso cada um deveria ficar na sua carteira e cuidar do marcador que estava fazendo. Funcionou bem. Resultado: fizemos marcadores lindos, as crianças ficaram empolgadas, e eu incentivei cada uma a ir a biblioteca e pegar um livro, e usar o marcador.
Mas eu fui além: fiz um marcador pra minha amiga, o tema é “Coisas que eu desejo a você”, na frente, e atrás há um caça palavras com coisas que desejo a ela,  amor, sexo, felicidade, cinema, etc… Já enviei e estou esperando o meu chegar pelo correio. Mas eu gostei tanto da idéia, que resolvi fazer marcadores pra algumas pessoas especiais, e que gostam de ler. Pra cada pessoa, um marcador diferente, que tenha a ver com a sua personalidade.
Agora, estou lançando a campanha: Faça um marcador para quem você ama.
É um presente muito legal de se receber, e quem recebe também fica feliz. Essas coisas que a gente faz têm mais valor.
E, ainda uma segunda proposta: Envie um marcador de páginas para mim! A quem enviar, eu mandarei um de volta.
Quem quiser me mandar um marcador e receber um em troca, deixe recado que eu envio o meu endereço!
Espero receber muitos marcadores!

Utilidade pública: cinefilia!

Postado em Coisas com as tags , , , , , , em Novembro 7, 2009 por romildejunquera

xxy

"Eu os encontrei juntos"... "Quem?" .. "A Alex e esse menino, Alvaro"..."Juntos como?" ... "Ela estava em cima! Enrabando o filho dos seus convidados!"

Eu sou cinéfila, muito cinéfila. Mas por vezes, as obrigações, a faculdade, a difícil vida de escragiária estagiotária estagiária, e as festas  me afastam dos sites de downloads e das tardes e noites de filme e pipoca com calda de chocolate.

Eu gosto de filmes que me fazem chorar. Eu sou chorona por natureza. Choro nos comerciais do Bradesco, aqueles sobre desenvolvimento sustentável, choro por qualquer coisa. Na TPM, então, nem se fala, choro até em comercial de margarina! É difícil não se emocionar, vendo aquelas pessoas Happy-family-life-style de sorriso colgate, tão felizes com seus pães besuntados de margarina tão amarelinha…

Enfim… Eis que há bem pouco tempo, recebi a ilustre visita de duas mochileiras, a Mah e a Vanessa. E elas, super cinéfilas, passaram duas semanas aqui, assistimos dezenas de filmes. Elas reacenderam em meu ser o fogo da paixão por filmes, e desde então, tenho assistido um atrás do outro, e ainda tenho uma lista de 37 filmes pra ver.

Aí me ocorreu de recomendar alguns. O gênero, vocês já sabem: Drama. Oh, dhrama, dhrama, dhrama!

My sister’s keeper (Uma prova de amor). Lindíssimo. A história de uma garota com câncer, e uma decisão em torno disso. Assistimos esse filme entre soluços, não sei qual das três chorou mais, tivemos que fazer pausas pra nos recompormos.

El nino pez (O menino Peixe). Esse está na mostra internacional de cinema de São Paulo. Um filme de sensibilidade e inteligência incríveis, sem ordem cronológica, cheio de detalhezinhos. Duas garotas, duas tragédias, um mito e um amor. Muito, muito bom. Não e fez chorar, mas é um filme mesmo impressionante, daqueles que te dá vontade de acender um cigarro e tomar um café, olhando pro nada, mesmo que você não seja fumante.

Um crime americano (An american crime). Conta a história de uma mãe que sacrifica uma garota pra salvar a família, e depois acusa a família pra se defender, no auge da insanidade. Chorei baaaaaaaldes, fiquei abalada, horrorizada. Excelente filme, e a história é real.

Outros filmes muito bons: XXY, The quiet (o preço do silêncio), The boy in the striped pyjamas (O menino do pijama listrado), Psicose (esse é bem antigo, é ótimo, é aquele da clássica cena da faca e  a musiquinha sinistra de fundo..), Gilbert Grape, aprendiz de sonhador. Fica a dica. E você, se assistiu um filme massa, deixe a sugestão aqui pra eu ver também! Obrigada!