história, ciência, arte e Confusão.

Era uma vez, um cara chamado Antoine Laurent de Lavoisier. Nasceu em Paris, em agosto de 1743. O pai dele era rico, mas não era um nobre, na sociedade parisiense. Então ele comprou um título de nobreza, HA! Pra quem tem dinheiro, o resto é só um detalhe, certo?

O pequeno Lavoisierzinho foi crescendo… formou-se em direito, mas ele tinha a ciência nas veias! Então ele comprou tipo uma ação na “Ferme Gerale”… Fazenda Geral. Era o órgão público responsável pela coleta de impostos. Isso porque com a renda, que equivaleria hoje a uns 20 milhões anuais, ele poderia financiar suas pesquisas. A Fazenda Geral não tinha a ética entre seus principais valores, sabe? Eles cobravam impostos só dos pobres, praticamente… Só de quem eles queriam cobrar, e tals… Mas isso não era culpa do Lavy, ele apenas seguia as normas do sistema.

O cara tinha o melhor laboratório particular da galáxia. Mas nunca conseguiu descobrir um elemento químico. E naquela época, qualquer cara com uma proveta, um bequer e um bico de Bunsen, descobria um elemento. Ele conheceu a filha do chefe, e se casou com ela.

 

Marie Lavoisier e seu marido Antoine Lavoisier

Lavy, charmosão, e a Madame Lavoisier. Pintado por Jacques-Louis David

Eu acho muito errado, isso, porque ele já estava com uns 28, e a menina tinha 14. Mas enfim… Eles se completavam, era até bonitinho… Porque a garota era extremamente inteligente, uma pequena cientista. Eles tinham uma vida social agitada, mas trabalhavam 2 horas no laboratório pela manhã, e três pela tarde, depois do expediente oficial. Exceto no domingo, que era o dia que eles chamavam de “Dia da Felicidade”. Nesse dia, eles não trabalhavam 5 horas, mas sim o dia todo, no laboratório. E o cara ainda arrumava tempo pra ser comissário da pólvora, supervisor da construção da muralha de paris, que impedia a entrada de contrabando, ajudar a criar o sistema métrico e a nomenclatura química oficial. E ainda era membro importante da Academia Real de Ciências.

Também no ano de 1743, em maio, na Prússia, nasceu Jean-Paul Marat. O pai dele estava envolvido nuns problemas políticos e eles se mudaram pra outro país, onde estrangeiros não eram muito bem vindos. Marat, percebendo que não teria futuro ali, saiu pra viajar Europa afora, e ninguém sabe o que ele fez da vida, como, quando, com que e onde, por 10 anos. Quando ele voltou a dar as caras, foi fazendo baderna: publicou um ensaio filosófico muito bom, mas que ia contra a filosofia de Helvétius. Esse cara já tinha até morrido, mas o Voltaire gostava muito dele e tomou as dores. Voltaire era famosinho na época, e escreveu um ensaio contra o ensaiodo Marat, e ele ganhou visibilidade no cenário intelectual. Até porque Rousseau tomou suas dores, contrariando Voltaire também.

Marat era um cara que gostava de um circo pegando fogo. Ele também escrevia sobre política e revolução, e se envolvia nelas. Em 1775, escreveu um ensaio sobre nada mais nada menos que a Gonorréia. E ganhou um título honorário como médico por isso. Aí deram um emprego pra ele de médico de alguém muito importante por lá, na corte de Paris. Ele passou a ganhar muito bem, e construiu um laboratório de ciências na casa de uma amante.

Marat pesquisou sobre fogo, calor, eletricidade, luz, reflexo da luz nas bolhas de sabão…Escreveu vários artigos, e levou pra aprovação da Academia Real de Ciências. Chegando lá, quem era o cara que aprovava as publicações??? Quem??? Ele mesmo, Antoine Laurent “Lavy” de Lavoisier. Lavy leu aquilo e deu risada. heheheh.. Algumas teorias dele de fato estavam erradas, mas ele jamais esqueceia aquela rejeição. E Lavy sequer imaginava como esse fato mudaria sua vida.

Mudaria a de Marat também, já que a partir de então, enquanto Lavy estava ocupado, com sua mulher, enferrujando pregos, fazendo descobertas incríveis que dariam origem à Lei de Conservação de Massas, Marat passou a afogar as mágoas se jogando no mundo da política.

Naquela época de perucas ridículas, perucas estavam rolando, com cabeça e tudo: a Revolução Francesa acontecia. O terceiro estado (camponeses e pobretões em geral, comerciantes, burgueses e ricos não-nobres ) queria ocupar o poder. E adivinha o que os pobres odiavam??? A Fazenda Geral, com seus impostos terríveis, e a muralha de Paris. Marat, por outro lado, tinha fundado o jornal L’Ami du peuple (O amigo do povo), e era aclamadíssimo como líder popular. Teve uma época em que Paris estava perigosa demais pra ele, e ele se escondia numa caverna pra escrever e exercer suas atividades políticas populistas, e acabou pegando uma doença de pele. Aproveitando-se de sua posição política, sugeriu discretamente que já estava passando da hora de Lavoisier ser tipo… decapitado.

Nesse contexto, uma jovem do grupo dos Girondinos, grupo contrário ao de Marat, os Jacobinos (Liderado por Robespierre), atacou Marat com uma facada no peito, enquanto ele tomava um banho medicinal pra amenizar as perebas da pele. Jacques-Louis David, pintor e amigo de Marat, foi contratado para imortalizar a memória de Marat, e pintou o famigerado quadro “A morte de Marat”. 13 de julho de 1793.

A Morte de Marat

A morte de Marat, de Jacques-Louis David. E sem perebas!

Mas já era tarde demais para Lavoisier, que já estava condenado e perdeu a peruca em 8 de maio de 1794. Mais tarde, em julho desse ano, o próprio Robespierre foi traído no golpe que ficou conhecido como 9 do Termidor, e decapitado sem nem julgamento prévio, e se encerrou o Reinado do Terror na França.

E foi assim que madame Lavoisier ficou viúva e acabou se casando mais tarde com Benjamim Thompson, o Conde de Rumford, um safado sem vergonha que chegava da América, onde abandonara os filhos e a viúva rica com quem tinha se casado, pra fazer ciência na Europa. Certeza de que ele estava de olho no laboratório do Lavy!

 

 

Uma resposta para “história, ciência, arte e Confusão.”

  1. isso só prova uma coisa: homens não prestam.

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