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Porque eu não fugi com o circo

Postado em Histórias de qdo eu (não) fugi com o circo com as tags , em Fevereiro 14, 2009 por romildejunquera

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Quando eu era criança, sonhava em fugir com o circo

Era minha vontade mais secreta, mas acho que lia-se nos meus olhos, quando eu olhava o circo…

Pensar nisso, é nostálgico, mágico, quase romântico…  Mas o motivo que me afastou do circo a ponto de, quando eu voltar a vê-lo, já ter planos que me impediam de fugir com ele, não foi tão romântico… Na verdade foi algo que dançava de um lado pro outro, atravessando diversas vezes a tênue linha entre o cômico e o trágico…

Tá, vou contar, calma.

Foi lá um circo… o Melhor que eu já vi… Nunca tinha visto um palhaço tão engraçado. Fofinho, era o nome dele, jamais me esquecerei, na vida de minhas fatigadas retinas, nesse momento, com conjuntivite. Ele usava macacão amarelo, e uma camiseta listrada de branco e laranja… sapatos com verde e azul… peruca vermelha… Era engraçadíssimo.

Eeeeeis, que foi embora o circo.. E o danado do Fofinho, que era também safadinho, deixou várias moças grávidas na cidade.

Meu pai não achou muito engraçado. Ele passou a considerar o circo um lugar perigoso demais pra uma mocinha deslumbrada e indefesa, e não mais me deixou ir. Só fui voltar a ir ao circo lá pelos meus 13… Aí já não tinha mais coragem de fugir com o circo.

Hoje, me pego pensando em como teria sido… Eu sei que as coisas não são como a gente pensa, e que viver a rotina do circo poderia inclusive me fazer mudar de idéia sobre ele… Mas prefiro não pensar sobre isso.

Pra mim, o circo será sempre o único lugar onde, mesmo sob um teto, olhando pra cima, pode-se ver estrelas.